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19 de fevereiro de 2017

RESENHA: O Médico e o Monstro – Robert Louis Stevenson


Mesmo conhecendo por alto sua essência, o livro conseguiu ser muito diferente do que eu imaginava, uma leitura surpreendente e que vale muito a pena, principalmente à quem ainda não conhece o mistério por trás do bondoso médico Henry Jekyll e o abominável Edward Hyde!


Hoje vou comentar do clássico de 1886 que muitos já devem conhecer, O Médico e o Monstro, ou O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Sr. Hyde, que inspirou diversas criações, a exemplo O Incrível Hulk, teve várias adaptações, influenciou outros clássicos como O Retrato de Dorian Gray e animações fizeram alusões em algum episódio como no Perna Longa, Tom e Jerry, Piu Piu e Frajola entre outros.

Narrado em terceira pessoa, onde seguimos os passos do advogado Sr. Utterson, "um homem de duras feições, magro, alto, insípido e que mesmo assim conseguia ser agradável". Não apreciei muito nosso protagonista, foi um tanto decepcionante perceber que a narrativa não acompanharia o Dr. Jekyll e sim um amigo que estranhamente pouco se encontravam no decorrer das páginas. Na verdade, o autor não nos desperta muita empatia pelos personagens, em contra partida a reviravolta no final nos dá muito o que pensar a respeito da nossa psique (que com certeza será surpreendente e ainda mais interessante à quem desconheça dos mistérios acerca do Dr. Jekyll and Mr. Hyde).


O Enredo:
Tudo tem início numa Londres vitoriana com o Sr. Utterson em um de seus passeios com o Sr. Enfield, quando se depararam defronte de um inóspito prédio de dois andares donde o Sr. Enfield relembra o estranho episódio que presenciara envolvendo um sujeito baixinho e de feições diabólicas chamado Hyde, que naquele dia pisoteara uma garotinha e fora confrontado pelos familiares da garota, para evitar uma cena o Sr. Hyde concordou em pagar uma quantia considerável, então entrou pela portinha daquele prédio e retornou com um cheque assinado por ninguém menos que o Dr. Jekyll, um nobre médico de renome e também amigo do Sr. Utterson, este se recusara acreditar que o amigo pudesse se envolver com alguém como Hyde. Utterson, que tinha em mãos o testamento de Jekyll onde dizia que na sua morte ou desaparecimento toda fortuna iria para Hyde, acreditou que seu amigo pudesse estar sendo vítima da chantagem.

Por ser enxerido ou simplesmente se preocupar com o amigo, Utterson decide investigar qual a relação entre Dr. Jekyll e o Sr. Hyde. Confrontado, Jekyll nega a hipótese da chantagem e afirma ser apenas por amizade. No desenrolar da história incidentes ruim envolvendo Hyde acontecem pela cidade, inclusive um assassinato. Muitas vezes o Dr. Jekyll some por dias e começa a ficar cada vez mais recluso, assim Utterson está sempre muito preocupado/curioso e temeroso de que a relação com o Sr. Hyde venha a manchar a reputação do amigo. As coisas ficam ainda mais estranhas quando um  médico e amigo em comum dos dois, o dr. Lanyon, de repente se encontra cada vez mais debilitado e passa não suportar ouvir falar do antigo colega Jekyll. O que poderia ter acontecido entre eles? O livro gira em torno desse suspense que envolve o médico Jekyll e o horrendo Hyde. 



Considerações e Spoilers:
O livro possui características góticas da era vitoriana, uma atmosfera de mistério, ficção científica e terror, mas no entanto não se encaixa completamente em nenhum desses estilos. Tais narrativas, principalmente as de terror, eram contadas em forma de relatos e nunca diretamente pelo personagem de quem a história de fato se revela, essa é uma característica da época e também presente em O Médico e o Monstro, principalmente nos dois últimos capítulos onde todo mistério é explicado através de cartas, uma do dr. Lanyon e a outra do próprio Dr. Jekyll.

Há momentos em que o Dr. Jekyll desaparece e só ficamos sabendo de algumas aparições do Sr. Hyde. Para quem já tinha conhecimento de que o médico e o monstro são na verdade a mesma pessoa fica fácil especular o que pode ter causado o estranho sumiço de Jekyll.

Na narrativa em forma de carta do próprio Jekyll entendemos os motivos que levaram um homem tão bondoso e honrado como o doutor Jekyll a tomar a poção e se transformar no maldoso Hyde, onde suas ações não são presas a nenhum princípio ético ou moral, se libertando assim das amaras da sociedade, mesmo que essa liberdade custe se transformar num monstro. Quando se transforma em Hyde o Dr. Jekyll fica impune de quaisquer que sejam as atrocidades cometidas por Hyde.

Hyde é mais jovem e muito mais baixo que Jekyll, talvez por ser uma parte dele que tenha sito pouco desenvolvida, e por mais que seja um preço alto a pagar, Jekyll não consegue resistir a tentação de se libertar mais uma vez e fazer tudo que o seu outro lado, que Freud chama de id, tanto anseia. O livro aborda o distúrbio dissociativo de identidade, onde a poção divide sua personalidade e toda maldade e impulsos agressivos ficam nessa segunda personalidade que é o Sr. Hyde, mas é claro que chega o momento em que o Dr. Jekyll acaba perdendo o controle.


Edição:
Já contei que adoro as edições dos Clássicos Penguin, e com O Médico e o Monstro não foi diferente, o livro traz o prefácio de Luiz Alfredo Garcia-Rosa que li antes de começar a obra de fato, e introdução e notas de Robert Mighall que só li depois de já ter terminado tudo, pois achei melhor assim e gostaria de tirar minhas próprias conclusões, por isso recomendo ler a introdução por último. Essa edição tem 158 páginas, mas do livro mesmo são apenas 88 páginas de uma narrativa rápida por ser pouco descritiva e prazerosa, que com certeza te fará repensar sobre a nosso psicológico e a personalidade de muitas pessoas inclusive a sua.


O Médico e o Monstro   
Título original: Dr. Jekyll And Mr. Hyde
Autor: Robert Louis Stevenson
Editora: Penguin Companhia
Ano (publicação): 1886
Páginas: 158
Gênero: Mistério, Terror, Clássicos
CompreSubmarino | Saraiva | Livraria Cultura

.:: RECOMENDO ::.
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Um comentário:

  1. E nosso Mr. Hyde? rsss

    Claro que não foi o político Antônio Anastasia (Anastasia foi quem "montou" aqui em BH uma Sala própria de Orquestra -- da Filarmônica de Minas, com a melhor acústica do Brasil; melhor que a Sala São Paulo). Quem acabou com o Balé Jovem do Palácio das Artes -- BH --, foi o PETISTA Pimentel...

    E, por outro lado, quanto ao (muitas vezes “esquecido” dos blogs…): LULOPETRALHISMO:

    Lula é um perigo para a volta à normalidade, lula é o atraso e o prejuízo. Um homem mentiroso VIGARISTA, PeTralha e Picareta.

    Lula é incompetente, foi incompetente quando apostou naquela mulher ignorante em ECONOMIA cujo nome é Dilma Rousseff.


    A pseudoesquerda, certamente. Hipocrisia publicitária e pura propaganda. Já está fazendo Campanha (infiltrado nos blocos de Carnaval, disfarçado).

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